Netflix Responde Rumores de Aquisição da Warner Bros.

"Somos Mais Construtores do que Compradores"

“Somos Mais Construtores do que Compradores”
Os rumores sobre a potencial venda da Warner Bros. Discovery (WBD) estão agitando Hollywood, e um dos nomes que circula como possível interessado é o gigante do streaming, Netflix. No entanto, a resposta dos executivos da Netflix aos boatos sugere que um megacombo não está em seus planos imediatos.
Em meio à notícia de que a Warner Bros. Discovery confirmou ter recebido “interesse não solicitado” de várias partes (tanto pela empresa inteira quanto pela Warner Bros. isoladamente) – e que, segundo fontes, a Netflix estaria entre os interessados em ativos específicos como o estúdio de cinema e TV – a Netflix optou por minimizar a importância de uma grande fusão.
Foco no Crescimento Orgânico
Durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre, o Co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, abordou indiretamente o frenesi de fusões e aquisições. Ele enfatizou a filosofia de longa data da empresa: “Historicamente, temos sido mais construtores do que compradores”.
A mensagem é clara: a Netflix acredita que tem “muita margem para crescimento” ao desenvolver capacidades internamente, em vez de recorrer a compras caras de estúdios tradicionais. Sarandos chegou a mencionar que a Netflix “não tem interesse em possuir redes de mídia legadas” (como as redes a cabo da WBD), o que sugere que uma aquisição completa da Warner Bros. Discovery não é um cenário atraente.
A Perspectiva do Co-CEO Greg Peters
O Co-CEO Greg Peters reforçou essa visão, argumentando que o sucesso no streaming é conquistado através do “trabalho árduo de desenvolver essas capacidades nas trincheiras dia após dia”. Para Peters, o simples ato de comprar outra empresa não garante o domínio no mercado.
O X da Questão: Conteúdo vs. Estrutura Antiga
A Warner Bros. é detentora de um tesouro de Propriedades Intelectuais (IPs) altamente valiosas, como Harry Potter, DC Comics, O Senhor dos Anéis e o catálogo da HBO (Game of Thrones, Succession). Para a Netflix, a aquisição desses ativos representaria um arsenal imbatível na “guerra do streaming”.
No entanto, o negócio da Warner Bros. Discovery também vem com um fardo significativo: uma dívida de cerca de US$ 35 bilhões e a complexidade das redes de TV a cabo em declínio, algo que a Netflix está claramente ansiosa para evitar. A WBD está, inclusive, avançando com um plano de se separar em duas empresas até meados de 2026, potencialmente facilitando a venda apenas dos ativos de estúdio e streaming.
Conclusão: A Netflix Está de Olho, Mas Mantém a Calma
Embora a Netflix esteja sempre atenta a oportunidades estratégicas que se encaixem em sua visão e ofereçam um “valor de propriedade” adicional, sua resposta oficial não é de um predador faminto.
A postura de Sarandos e Peters é a de que a Netflix pode vencer a guerra do streaming investindo “agressiva e responsavelmente” em sua própria produção e inovação, sem se sobrecarregar com a dívida e a estrutura antiga de um conglomerado de mídia tradicional. A empresa está no auge de seu poder no streaming. Resta saber se o medo de ver as jóias da Warner Bros. caírem nas mãos de um rival (como Amazon, Apple ou até mesmo Paramount/Skydance) será suficiente para mudar sua filosofia de “construtores, não compradores”.
Por enquanto, o palco de Hollywood permanece agitado, com a Netflix observando de perto, mas com as mãos firmemente fora da carteira.

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