Como um comercial de 30 segundos fez a Havaianas perder R$ 200 milhões em um dia

Tudo começou com a campanha de fim de ano de Havaianas estrelada pela atriz Fernanda Torres.

Quem diria que um par de chinelos e um trocadilho de Ano Novo poderiam causar um terremoto financeiro? No apagar das luzes de 2025, a Havaianas se viu no centro de uma tempestade digital que mistura política, redes sociais e um prejuízo milionário.

Tudo começou com a campanha de fim de ano estrelada pela atriz Fernanda Torres. No vídeo, ela faz uma brincadeira com a famosa superstição: diz que não quer ninguém começando 2026 com o “pé direito”, mas sim com os “dois pés na porta” e “pé na jaca”. O que era para ser uma mensagem de intensidade e atitude acabou sendo lido como um ataque subliminar à direita política.

O “cancelamento” que doeu no bolso

A reação foi imediata. Em menos de 24 horas, influenciadores e políticos conhecidos convocaram um boicote à marca. O resultado? As ações da empresa despencaram na Bolsa de Valores, com uma perda estimada entre R$ 152 milhões e R$ 200 milhões em apenas um pregão.

  • O vídeo do lixo: O deputado Eduardo Bolsonaro postou um vídeo jogando seus chinelos fora, o que virou tendência entre seus seguidores.

  • A “lista oficial”: Perfis conservadores começaram a divulgar marcas concorrentes, como a Ipanema, como a nova escolha “segura” para o verão.

  • O contra-ataque: Do outro lado, o pessoal da esquerda ironizou o movimento, criando memes que sugeriam que o calçado ideal para quem estava protestando seria, na verdade, uma tornozeleira eletrônica.

O passado condena (ou explica)?

Para colocar mais lenha na fogueira, a internet resgatou um comercial de 2014 com o ex-jogador Romário. Na época, a Havaianas dizia que “o pé direito é nosso” e brincava que o pé esquerdo dava azar.

A comparação serviu para mostrar como o Brasil mudou: o que era uma piada boba sobre sorte há dez anos, hoje é interpretado como uma declaração de guerra ideológica. Para muita gente, o “pé direito” deixou de ser anatomia para virar identidade.

A grande lição para as marcas

A crise da Havaianas mostra que, em 2025, não existe mais “em cima do muro”. Até uma propaganda de chinelos precisa passar por um filtro rigoroso para não acionar gatilhos políticos. Enquanto a Havaianas tenta apagar o incêndio, a concorrente Ipanema viu seu número de seguidores dobrar em um único dia, surfando na onda do “marketing de oportunidade”.

No fim das contas, a marca tentou vender otimismo para 2026, mas acabou revelando o quanto o país ainda está dividido. Pelo visto, caminhar junto — mesmo que de chinelos — ainda é um desafio e tanto.

Confira o post super detalhado sobre este caso em Update or Die.

Compartilhe agora!